Três modos diferentes de um arquiteto inserir um objeto novo numa paisagem urbana pré - existente.
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Foto 01 - César Dorfman, Paulo Zimbres, CarlosFraga, Andreoni Prudêncio e Rodrigo Adonis Barbieri - Biblioteca Central IPA-Metodista (2003-2005)Porto Alegre - RS
Foto 02 e 03 - Clorindo Testa - Casa en la Barranca (1992-1993).Martínez - Província de Buenos Aires - Argentina
Foto 04, 05 e 06 - Rem Koolhaas - Pavilhão temporário para a Galeria Serpentine - 2006 - Londres - Inglaterra
Por mais que tenhamos a intenção de projetar uma edificação paramentada em modelos clássicos (tradicional) creio na impossibilidade de fazê-los exatamente tal como fora feito numa determinada época. A disponibilidade de novas tecnologias e materiais existentes no mercado, a não-existência de outros e o desuso de processos construtivos específicos que demandam uma mão-de-obra especializada nos demonstram quão mais difícil e mais longínquo fica projetar ou reproduzir um modelo tido como tradicional. Além do mais, já é sabido que a arquitetura é um reflexo de uma vivência política, econômica e cultural e que para cada espaço de tempo há uma leitura sobre ela.
Eis aqui três exemplos de projetos vinculados com outros pré-existentes da década de 20 e 30. Todos com rupturas.
No projeto da Biblioteca Central IPA - Metodista (foto 01) foi recuperada a imagem da antiga edificação datada de 1920, porém foi inserido um novo programa ao projeto. Pôs-se em destaque na intervenção contemporânea: a cobertura - o telhado está ligeiramente elevado com relação à cota anterior e foi executado com telhas de alumínio tipo sanduíche - os vãos de iluminação existentes foram executados com modernas esquadrias de alumínio vermelhas; a escadaria foi implementada enfatizando o caráter simbólico do acesso principal, que complementa o pórtico existente; a área interna propõe contrastar a referência tecnológica à técnica de alvenaria de pedra da edificação: novo x antigo.
Já no projeto do arquiteto argentino Clorindo Testa para a Casa de la Barranca (foto 02 e 03), temos um projeto pré-existente datado de 1920. Testa em sua intervenção (1992/93) desenvolveu como idéia principal agregar coisas sem dar conta do que existia antes no local de sua intervenção. No espaço externo foi modificada a área da piscina. Testa também é artista plástico e estende sua arte para a arquitetura, na área da piscina por exemplo, ele inseriu a escultura de uma árvore de concreto, contrastando com a natureza existente na costa do Río de la Plata. E em suas intervenções há o uso intenso das cores e das figuras geométricas, características de sua segunda fase como arquiteto pós-modernista.
Apesar de ser um pavilhão temporário e pertencente à galeria Serpentine (Foto 04 e 05), Rem Koolhaas projetou o seu balão com a mais alta tecnologia, também muito característico nos seus projetos. A proposta para o pavilhão foi a inclusão dos indivíduos em diálogos comuns, uma vez que o espaço foi criado para eventos de encontros, debates e apresentações. O balão foi fabricado com poliéster e é controlado por gás hélio. Possui quatro manivelas elétricas que o fazem subir ou descer, elevando a silhueta da galeria Serpentine, um clássico prédio de salão de chá dos anos 1930. O espaço central do pavilhão de Koolhaas, é rodeado por uma parede circular dupla de policarbonato translúcido. O pavilhão se apresenta dentro de uma cultura performática, onde a arquitetura se transforma em acontecimento urbano e midiático, criando polêmicas ecoadas pela imprensa e inserida no turismo da cultura global.
Das rupturas temos no primeiro exemplo a Biblioteca Central, em Porto Alegre, mantendo o tradicional, porém foi adicionado novos materiais e novas tecnologias, uma ruptura sutil que não afeta o conjunto quando lido no todo. Já no projeto do Testa temos uma quebra bem destacada para os novos elementos inseridos no contexto pré-existente, o uso das cores fortes enfatiza ainda mais a intervenção do arquiteto, deixando claro o que já existia no local e o que foi adicionado. Com Rem Koolhaas e seu projeto para o Pavilhão temporário temos um alto contraste do novo (o balão) com a galeria Serpentine de 1930, parecendo-nos edificações completamente diferentes, e realmente são, mas digo no sentido que o contraste é tão grande que nos leva a pensar que não pertencem a mesma instituição.
Fonte: Babilaque Blogspot [blog antigo meu!] - Post original publicado em 14 /04/07.
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